Nunca eu havia pensado nas coisas que pensei ontem. Há mais de
vinte anos que não morre ninguém próximo, da família, e ninguém
está preparado para que isso aconteça. Desde terça-feira, nós
tomamos um susto. Meu avô, de oitenta e oito anos, o "centro" da
família, pois o Ferreira Penteado vem dele, teve, aparentemente,
uma espécie de derrame cerebral.
Graças a Deus foi apenas um susto, pois foi um derrame pequeno, e
ele já está bem. Mas algum tempo eu já vinha notando que meu avô
começava a se esquecer das coisas, a ser repetitivo, e isso quando
eu era criança. Ele sempre contava as mesmas histórias, sempre
relembrava o passado, e isso foi até quando os irmãos dele
começaram a morrer.
De sete ou oito irmãos, todos homens, apenas restou meu avô e mais
dois. E a cada morte, meu avô ficava mais fraco, até chegar onde
está. Têm dias em que ele acorda sem saber onde está, e fica sempre
pedindo para voltar para casa. Como também têm dias que ele pensa
que pessoas que já morreram, ainda estão vivas, como um outro dia
que ele imaginou que sua mãe estava viva, ou então semana passada,
que ele queria ver o seu irmão Armando, que morreu há uns cinco
anos.
Como ontem, ele foi ao médico, por causa do pequeno derrame, ele
dianosticou meu avô. Como todos nós já sabíamos, ele sofre do Mal
de Alzheimer. Mas o que não sabíamos era que existiam níveis, e meu
avô já está no segundo nível. A primeira fase são sintomas que são
pouco dado importância, pois acham que é coisa da idade. Sâo coisas
como esquecer coisas por curto prazo, e dificuldade de lembrar
fatos recentres.
A segunda fase, que é a que meu avô está, é uma parte que os
sintomas são principalmente nos movimentos, não apenas na memória.
As memórias antigas não são tão afetadas como as memórias de curto
prazo. Meu avô, por exemplo, esquece de muitas coisas recentes,
acorda no meio da noite para querer ir trabalhar, esquece, por
curto prazo, quem são algumas pessoas, como já esqueceu de quem
sou, algumas vezes, meu pai também, e até uma vez, que me lembro,
esqueceu quem era minha avó.
Na terceira fase, a dificuldade em falar se torna evidente,
perdendo a capacidade de ler e escrever, também deixando de fazer
tarefas simples e rotineiras. Os problemas de memória píoram,
também, em alguns casos, a pessoa começa a sofrer de ilusões.
Na quarta e última fase, é quando a pessoas já está completamente
dependente das pessoas, perdendo aos poucos a fala, mas ainda
compreendendo e respondendo com sinais emocioanis.
A doença é progressiva, e agora, o que nós, da família, temos que
fazer, é apenas cuidar dele, com o maior carinho.
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